"Começamos oprimidos pela sintaxe e acabamos às voltas com a Delegacia de Ordem Política e Social, mas, nos estreitos limites a que nos coagem a gramática e a lei, ainda nos podemos mexer"
Graciliano Ramos

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Pobrezinho menestrel.

O poeta faz versos pra falar
Do ócio, da ânsia, do mar...
Nos seus versos o poeta reclama.
O poeta cansou de declamar.
O poeta, ah, pobre do poeta...

O poeta, ah, pobre do poeta...
Todo o seu amor se foi de doença;
De tédio; de outro amor; da cidade...
Ah, que pena do pobre do poeta,
Gente do tempo da delicadeza.

O poeta, ah, pobre do poeta.
Fez versos pra abafar a tristeza.
 O poeta, ah, pobre do poeta;
 E na sua pobre dor de poeta
 O efêmero mundo vê beleza.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

The wolf under sheepskin?

Morreu semana passada um dos maiores gênios da atualidade, o guru da tecnologia e fundador da toda poderosa Apple, Steve Jobs. E digo, não pude esperar uma repercussão maior do que a repercussão que a morte dele conseguiu gerar. O criador do Iphone, Ipad, e há anos atrás, do Imac, revolucionou o modo de enxergar a tecnologia de todo o mundo. Poucos dias após sua morte, textos, vídeos e discursos começaram a pipocar na internet; pessoas que tinham seus produtos, mas não sabiam nem ao menos quem os fabricava, apareciam aos montes em luto. Estava feito; Steve Jobs era canonizado pela massa popular.

Um santo! Definitivamente Jobs operou milagres; revolucionou um mercado inteiro e tornou a Apple a empresa mais cara do mundo. E é justamente do termo “revolução” que eu quero tratar. Steve Jobs fez muito mais do que apenas criar apetrechos que mudassem nossa maneira de interagir com a tecnologia; ele levou a comodidade da internet para dentro dos nossos bolsos, e não só da internet; uma leva de aplicativos e jogos veio no pacote, a fim de mudar totalmente o conceito que as pessoas tinham da telefonia móvel.  Com a chegada do famigerado Ipad toda a genialidade de Steve Jobs foi consolidada; não só genialidade para a informática, mas também, para o marketing de vendas e propagandas; o casamento perfeito entre um bom inventor e um grande vendedor.  Porém, não foram apenas os seus produtos que Jobs vendeu. Esteve Jobs deu início a uma revolução consumista sem precedentes, que ditou e vai ditar por muito tempo o que é moda e o que já é defasado. Juntamente com a tecnologia de ponta de seus tablets vieram requisitos mais concretos e mais caros para você ser aceito na sociedade; muito mais do que aparelhos para lazer e comodidade, os produtos de Steve Jobs se tornaram a chave da popularidade em qualquer meio social. O tablet não impressiona tanto quando o logotipo que ele leva.  O mundo rendeu-se aos eletrônicos da Apple e elevou o capitalismo em decadência dos dias atuais a um novo patamar. Se antigamente celulares eram trocados depois de terminadas suas vidas úteis, hoje são trocados assim que um novo modelo seja lançado; pois, se o indivíduo não tem o celular atual, ele desce na hierarquia social do mundo globalizado. Toda a inventividade e competência de um visionário alimentam o ego e a alma de milhões e milhões de pessoas.

Não, Jobs não é o algoz de toda a superficialidade humana, tão pouco foi ele que instaurou o regime do “parecer ser” em nosso meio social. Talvez, ele também seja um fruto dessa cultura embaçada que vem de séculos e séculos atrás. O problema está na educação. A vida educa o homem com conceitos mal interpretados, e o ilude ao dizer que você é aceito apenas com a aquisição de um bem material. Tomemos como exemplo as revoltas que ocorreram na Inglaterra há um tempo. Insurreição popular? Sim! Protesto admirável, de uma fatia da população que era tratada de forma indigna e que resolveu mostrar a sua voz. Mas então, o que motivou algumas pessoas de dentro do protesto à saquear ipads, celulares e outros eletrônicos?

Steve Jobs foi um grande pensador, inventor e empreendedor da era contemporânea; um orgulho da humanidade. Um homem que apenas com aparelhinhos eletrônicos conseguiu reformular um mercado musical quase que inteiramente, facilitar a vida de milhões de pessoas e levar a humanidade a um novo patamar de consumo. Ele realçou a superficialidade social com uma tela touchscreen. Só um homem revolucionário, com uma mente maravilhosa e ideias inovadoras seria capaz de uma façanha como essa. Steve Jobs é, prematuramente, o homem mais influente dos séculos XX e XXI. 

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Sou louco por ti, América.


A América do norte é absolutista? Em teoria, não. Na prática, quase.  


Fazendo uma comparação histórica, Os Estados Unidos da América assemelham-se muito com a França da segunda metade do século XVIII. Endividado, com uma população insatisfeita e com um governante em maus lençóis, os EUA mal se recuperam de uma crise e já sentem o baque de outra crise maior ainda.


Depois da saída do “Rei Sol” americano do poder, em 2009, seu sucessor tem sofrido com uma economia mastigada pela “guerra contra o terrorismo” e pelo comercio bélico que virou o principal método comercial dos Estados Unidos no ultimo século.

Desde a Primeira Guerra Mundial a economia americana baseia-se em intervenções militares, como meio fácil de sagrar-se como a hegemonia mundial, porém, essa “tática” tornou-se defasada com o decorrer do século, e no inicio do novo milênio era evidente o quão ultrapassado era o sistema econômico dos Estados Unidos.

Como consequência desse parâmetro econômico seguido pelos EUA, sua economia afundou, alcançando um déficit de contas jamais visto antes, obrigando o atual Presidente norte-americano a tomar medidas bastante controversas. Explica-se já que “controversas” é apenas dentro do sistema governamental dos Estados Unidos, pois todos esperavam por medidas como acabar com a isenção de impostos para os milionários há muito tempo.

Os republicanos, porém, dificilmente aceitarão a medida, alegando que não é aceitável aumentar impostos em época de recuperação econômica. Resta agora saber se a América fechará seu supermercado da guerra e deixará de vez qualquer preceito monárquico, ou se será necessária uma “tomada do pentágono” para que o país entre de volta nos eixos. 

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Poeminha simples.



Prometi estrelas 
para a minha amada,
preciosidade na
medida das nossas
alianças. E fui à busca.

Porém o trabalho,
as observações
e pesquisas,
os estudos.
Ah, a astronomia.
Essa burocracia toda
me deixou enfarado, 
com preguiça.
Dei flores a ela.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Aos modernistas e aos elefantes.


Brancos brancos elefantes
Imigram para sua Europa.
E migram todos os dias,
Emigrantes de outros tempos
Que emigram de seus sonhos
Errantes. Demais imigrantes
 passearam como dantes.
Não se importam com o Estado,
Tão pouco com as correntes
Migratórias e aleatórias.
Pulsantes e extravagantes
exigindo moratórias.
Emigram  de muito longe
Imigrarão o quanto antes
Só migram, os elefantes.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Poética alheia IV

20 anos recolhidos




chegou a hora de amar desesperadamente
                                                   apaixonadamente
                                                   descontroladamente
chegou a hora de mudar o vestido
                             de mudar o estilo
chegou atrasada como um trem atrasado
mas que chega

- Chacal -